sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Você

Saudades. Sempre soube o significado, mas nunca entendi realmente a significância. Não antes de você. O homem sombra, que me segue por toda parte, que realmente preenche todo o espaço. Você que me faz querer ter esses espaços preenchidos. Que entra no banheiro para saber se estou realmente lá, como se eu pudesse ter ido a algum lugar e, principalmente, como se eu quisesse ir à algum lugar longe de você. Que me fez gostar de dormir emaranhada, quase em simbiose, mesmo que antes eu só pensava em que horas o cara iria ter o bom senso de ir embora sem eu pedir. Que fecho os olhos e sinto sua mão me puxando para mais perto a noite e como eu gosto disso. Você que me põe em primeiro lugar. E tudo o que eu quero é te fazer sentir o mesmo. Mas eu sou só uma louca, que vive sonhando e fazendo merda e sei que nem em um milhão de anos, mesmo que reencarnasse no corpo de um labrador, iria te merecer...

sábado, 28 de outubro de 2017

Sapatos e Calos

Mais um dia que você sai cedo de casa e chega quase onze da noite. Bom, já devia ter se acostumado, é algo habitual, fora que sabe que haverão dias ainda mais longos, dias que durarão 29, 32, 48 horas... Caminhando, olha para baixo e o sapato branco está em gradiente de cores que começa no marrom escuro. A calça, que deveria ser branca, não faz vergonha a nenhum comercial de sabão em pó (a parte do antes). Os calos, que de tão grossos já não deveriam mais doer, insistem em latejar, te lembrando que aquele sapato não é tão confortável _ apesar de ser bonitinho e ainda aquela ardência de que novos estão surgindo, eu diria brotando, mesmo você achando que já não tinha mais espaço pra tanto. Coisas da idade e do cansaço: se importar mais com sapatos confortáveis. Chega em casa e uma coisa te chama antes da cama e da fome: um bom banho. Tira a roupa e percebe que o encardido era pior do que parecia, a roupa quase era uma segunda pele, parecia ter um mês de uso ininterrupto. A meia, dá vontade de jogar no lixo, não fosse o fato de você não poder comprar pares de meia diários. Mas a coisa realmente não são as roupas, os calos, a fome, o cansaço... É aquela pergunta que sempre vem: "o que tô fazendo aqui?"
Longe de casa, num lugar sem nenhum sentimento de pertencença. Vontade de largar tudo e correr chorando, voltar. Mas até isso é difícil, já que pensa que não tem nenhum lugar pra onde realmente voltar. Não dá. Não deu, por isso você partiu. Você não pertence a este lugar, mas tampouco pode voltar sem ter cumprido o que se propôs. A ruptura aconteceu. 
É recorrente o sentimento, as dúvidas, inquietudes.
E você no fim se conforma. É assim, outros dias como esse virão e você estará de novo preparada para seguir em frente.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

"E agora, que desfecho,
Já nem penso mais em ti
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?"

(Mário Quintana)

domingo, 11 de setembro de 2016

Um Lugar Chamado Everwood




everwood1


"O coração é uma coisa frágil. E é por isso que protegemos ele
vigorosamente, abrimos ele raramente, e é por isso que significa tanto quando resolvemos abrir. Alguns corações são mais frágeis que outros, mais puros de alguma forma, como cristal em um mundo de vidro. Até o modo como se partem é bonito”

Não sei desde quando me tornei uma aficcionada por séries, talvez desde os extintos episódios de Punk, A Levada da Breca, em minha infância... Mas posso falar de uma das séries que mais marcaram minha adolescência e até hoje me traz sentimentos de saudosismo, e essa série é Everwood. Protagonista pianista (instrumento que mais amo), um pai neurocirurgião (profissão que eu sonhava) e o desenvolvimento da problemática da fase que eu também estava vivendo, adolescência. Mas a série não é apenas isso, conflitos adolescentes e só quem viu sabe e, provavelmente como eu, se decepcionou com o fim da série, não só porque terminou em sua quarta temporada, mas também pelo fim escolhido, em si. Mereciamos mais, a série merecia mais. Quatro temporadas é pouco, comparando com as séries de hoje que chegam facilmente a seis, oito temporadas. Claro que há que se pesar que as séries de antigamente tinham muitos episódios, creio que Everwood tinha uns 20 a 22 por temporada. Até hoje é difícil acreditar que aquela cidade é fictícia. Enfim, o meu afã de falar sobre esse programa hoje foi a lembrança de um texto escrito pelo protagonista, que decorei na época e até hoje não me esqueci. Aqui faço uma compilação.

"Quanto mais as coisas mudam, mais parecem as mesmas. Eu não estou certo quem foi a primeira pessoa a ter dito isso. Provavelmente Shakespeare, ou talvez Sting. Mas neste momento, é a sentença que explica melhor minha falha trágica: minha inabilidade de mudar.
Eu não penso que estou sozinho nisto. Quanto mais conheço as pessoas, mais percebo que é o defeito de todos. Ficar sem mudar pelo máximo de tempo possível, ficar imóvel... Nos faz sentir bem. E se você está sofrendo, pelo menos a dor é familiar. Porque se você toma uma iniciativa, se abre, ou faz algo inesperado... Quem sabe que outra dor está esperando por você? Há a possibilidade de ser pior.
Então você mantém seu status quo... Escolhe a estrada já trilhada. Não parece tão ruim, em relação aos defeitos. Você não é viciado em drogas, não matou ninguém... Exceto talvez você mesmo um pouco.
E quando finalmente mudamos, não acho que seja como um terremoto ou uma explosão, e de repente somos uma pessoa diferente. Acho que é menos que isso... O tipo da coisa que poucas pessoas percebem... Só se observarem bem de perto. Fato que, graças a Deus, elas nunca fazem.Mas você percebe. Dentro de você, essa diferença é enorme. E espera que se torne a pessoa que você será para sempre... Para que você não tenha que mudar de novo. "

O original em inglês: 


"The more things change, the more they stay the same.' I'm not sure who the first person was who said that. Probably Shakespeare, or maybe Sting. But at the moment, it's the sentence that best explains my tragic flaw: my inability to change. I don't think I'm alone in this. The more I get to know other people, the more I realize it's kind of everyone's flaw. Staying exactly the same for as long as possible, standing perfectly still. It feels better somehow. And if you are suffering, at least the pain is familiar. Because if you took that leap of faith, went outside the box, did something unexpected...who knows what other pain might be waiting out there? Chances are it could be even worse. So you maintain the status quo, choose the road already traveled, and it doesn't seem that bad, not as far as flaws go. You're not a drug addict, you're not killing anyone... Except maybe yourself a little.When we finally do change, I don't think it happens like an earthquake or an explosion, where all of a sudden we're like this different person. I think it's smaller than that. The kind of thing most people wouldn't even notice unless they looked really, really close. Which, thank God, they never do. But you notice it. Inside you, that change feels like a world of difference, and you hope that it is...that this is the person you get to be forever. That you'll never have to change again"

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Há muito não escrevia nada. E não por falta de borbulhas internas que precisavam ser extravasadas... Poderia dizer que por falta de tempo. Sim, o tempo sempre falta e mesmo quando parece que não passa. Mas acho que o principal é que a escrita eterniza o momento de certa forma e há coisas que queremos deixar de pensar, ignorar, para ver se uma hora somem... Só que elas ficam aqui, latejando, aparecem sem dizer porquê, gostam de bater quando você menos espera... Antes de dormir, quando acorda, na hora do banho, quando tem algo importante a fazer, quando está dirigindo... E não dizem claramente o que querem, só ficam ali, latejando a sua mente, dizendo que você tem que fazer algo a respeito que não se sabe o que... Por que temos que ter pensamentos tão confusos? Se tudo é tão complicado, pelo menos nossa mente, nosso eu, deveria ser mais simples.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

O Vencedor

 

      As massificações são algo que tem me deixado pensativa. Gera-se uma ordem, uma outorga do eu crítico e pronto, todos estão fazendo exatamente o mesmo. Acredito que exista sim algum tipo de generalidade boa. Poderia pensar em inúmeros exemplos, mas considerando-os sempre no campo da utopia, posto a condição humana dos "terráqueos".
      Exemplificando: a moda agora é falar mal do funk e do chamado sertanejo universitário. Não quero discutir aqui a qualidade musical, mas sim o fato das pessoas falarem mal por simples modismo. Engraçado é que a maioria houve esses "sons", mas para dizerem-se hipsters na internet seguem o fluxo da corrente do avacalhar e criticar.
     Partindo-se da premissa de que todo trabalho é digno, pergunto: por que falar mal desses cantores? Eles, como todo brasileiro, querem garantir o pão de amanhã e você que escuta e tenta se esconder atrás da máscara de cult é quem dá a popularidade (mais que) suficiente para eles se tornarem cada dia mais populares e mais onipresentes.
     Se o "velho mundo" tem comprado os nossos engarrafados, ao invés de criticar o tipo de coisa exportada, voltemos nossos olhos para o tipo de coisa que eles estão importando! Afinal, berços  de cultura e civilização deveriam nos dar exemplos melhores e rechaçarem o ah-ah-uh-uh.
     A lei que move a economia é a da oferta X demanda. Enquanto houver demanda, haverá oferta, tanto lá quanto aqui.
Não ouça o que você acha imbecilizante, não compre a objetização da mulher, é você quem faz o palco para essa unicidade celular. É você quem tem que evoluir e mudar.
     Na ditadura não havia liberdade, por isso, os cidadãos se manifestavam muitas vezes através da arte e daí saiu muita coisa boa. Atualmente temos liberdade para nos manifestar (há controvérsias), temos palco acessível a todos, mas colocar a chave na ignição não liga o carro. Estamos mais atados do que na época dos milicos, pois a mordaça dava azo ao berro. Estamos fadados ao que profetizou George Orwell, liberdade é escravidão. Tantos lutaram, tantos morreram, para que hoje a descendência estivesse estagnada... Vozes sem atitude, não passam de ondas invisíveis. Queremos o bem de todos, desde que não se confronte com o individualismo que o capitalismo cada vez mais nos aprisiona. Os remos parecem ser melhores do que o motor na contra-correnteza. 
     Se banharam no rio Léthe, se embebedaram em sua água. Não chorar é impossível, só a fé realmente sustenta. Alice tenta sonhar, mas os pesadelos não permitem...
  PS.: Este post não trata de religião.

terça-feira, 7 de maio de 2013




O amor deveria ser em contrato. Digo isto para que as pessoas evitassem de nos exigir aquilo que não prometemos dar. As exigências estragam o encantamento. O bom é simples e puramente a satisfação, mas além dela as pessoas querem uma retribuição na "justa"_ sentido de justiça bem pessoal _ e exata medida.
Não posso. Não satisfaço aos meus anseios, quiçá aos de terceiros.
Desejo que aquele que doa entenda que seu desapontamento costuma causar uma frustração em contrapartida daquele que percebe não poder pagar com os juros e correções monetárias (in)devidas. Ainda bem que não há inflação levando em consideração o índice do coração.
 É triste não poder ser, fazer ou corresponder àquilo que esperam, mas ninguém percebe isto. O egoísmo, caracterísitca tão pujente em todos, mas disfarçada e maquiada o mais tenazmente possível, nos leva a sofrermos por nossa própria dor exclusivamente. Claro, menifestamo-nos pelos pobres da Etiópia, mas estes sabem o que passamos! "Pobres, só passam fome, nós frustração e desgosto". Assim é a balança dos corações. Um fiador eu peço. Sonho...

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Sentimento do Mundo

Carlos Drummond Andrade

Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.

Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.

Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.

Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer
esse amanhecer
mais noite que a noite.

A política Que O Povo Merece

Que discussão de royalties que nada! O negócio é pagodear! E foi assim a política do pão e circo na Praça dos Namorados, a discussão que levou (pelo menos deveria) as pessoas às ruas, foi animada ao som de muita música. Se precisam colocar artistas do cenário nacional para movimentar meia dúzia de cidadãos a irem discutir e defender seus interesses o problema é realmente sério. Existiam exceções ali realmente engajados no tema? Logicamente, mas o problema é esse, eram exceções, ou seja, a minoria para desespero de um futuro. Os funcionários públicos, dispensados de suas funções para comparecerem e fazerem coro à defesa dos Royalties do Petróleo do Espírito Santo aproveitaram a folga para ir a praia, ao shopping, ao supermercado... Como falar em consciência política diante dessa situação? Como defender uma reforma política, revendo a obrigatoriedade do voto? Esses mesmos que não foram defender seus interesses nas ruas capixabas, iriam até as urnas ou aproveitariam o domingo de sol para um bom descanso? Sim, a pergunta é retórica. Ao contrário da serpente que incitou Eva a provar do fruto da árvore que proporcionava o conhecimento do bem e do mal e todas as coisas, nossos políticos, serpentes contemporâneas, escondem o "fruto do conhecimento" da grande massa, quando não investem em educação, maquiam números e pesquisas e desviam o foco para outras questões importantes como futebol. E é assim, excluindo o povo do seleto grupo de formadores de opinião que eles se mantém no poder sob aplausos débeis de pessoas carentes de intelecto e entupidas de bolsas-auxílio. Isso, evidente, sem contar a felicidade dos cada vez mais milionários aliados aos salafrários do Poder Legislativo. Voto facultativo só aumentará o comércio por tal e a grande maioria daqueles que poderiam tentar fazer alguma diferença aproveitarão o dia - que será livre - para não enfrentar fila e passar vendo Faustão, Gugu ou qualquer outro programeco alienador. Aqueles que consideram bobeira ir às ruas defender um direito da nossa terra, também acredita, bitolados pela ideologia do Estado, que as coisas não podem mudar, pois são seres humanos que estão no poder. Eu me pergunto só uma coisa, essas mesmas pessoas que não lutam pela defesa de seus interesses e declaram que a corrupção é assim porque é assim, não são honestas, ou não conhecem um só ser que o seja? Eu acredito que existe muita gente boa, querendo fazer o bem, mas acomodados não vão mudar essa história.