quinta-feira, 9 de maio de 2013

      As massificações são algo que tem me deixado pensativa. Gera-se uma ordem, uma outorga do eu crítico e pronto, todos estão fazendo exatamente o mesmo. Acredito que exista sim algum tipo de generalidade boa. Poderia pensar em inúmeros exemplos, mas considerando-os sempre no campo da utopia, posto a condição humana dos "terráqueos".
      Exemplificando: a moda agora é falar mal do funk e do chamado sertanejo universitário. Não quero discutir aqui a qualidade musical, mas sim o fato das pessoas falarem mal por simples modismo. Engraçado é que a maioria houve esses "sons", mas para dizerem-se hipsters na internet seguem o fluxo da corrente do avacalhar e criticar.
     Partindo-se da premissa de que todo trabalho é digno, pergunto: por que falar mal desses cantores? Eles, como todo brasileiro, querem garantir o pão de amanhã e você que escuta e tenta se esconder atrás da máscara de cult é quem dá a popularidade (mais que) suficiente para eles se tornarem cada dia mais populares e mais onipresentes.
     Se o "velho mundo" tem comprado os nossos engarrafados, ao invés de criticar o tipo de coisa exportada, voltemos nossos olhos para o tipo de coisa que eles estão importando! Afinal, berços  de cultura e civilização deveriam nos dar exemplos melhores e rechaçarem o ah-ah-uh-uh.
     A lei que move a economia é a da oferta X demanda. Enquanto houver demanda, haverá oferta, tanto lá quanto aqui.
Não ouça o que você acha imbecilizante, não compre a objetização da mulher, é você quem faz o palco para essa unicidade celular. É você quem tem que evoluir e mudar.
     Na ditadura não havia liberdade, por isso, os cidadãos se manifestavam muitas vezes através da arte e daí saiu muita coisa boa. Atualmente temos liberdade para nos manifestar (há controvérsias), temos palco acessível a todos, mas colocar a chave na ignição não liga o carro. Estamos mais atados do que na época dos milicos, pois a mordaça dava azo ao berro. Estamos fadados ao que profetizou George Orwell, liberdade é escravidão. Tantos lutaram, tantos morreram, para que hoje a descendência estivesse estagnada... Vozes sem atitude, não passam de ondas invisíveis. Queremos o bem de todos, desde que não se confronte com o individualismo que o capitalismo cada vez mais nos aprisiona. Os remos parecem ser melhores do que o motor na contra-correnteza. 
     Se banharam no rio Léthe, se embebedaram em sua água. Não chorar é impossível, só a fé realmente sustenta. Alice tenta sonhar, mas os pesadelos não permitem...
  PS.: Este post não trata de religião.

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