quarta-feira, 14 de julho de 2010

Quimera

"Não me envergonho de mudar de opinião porque não me envergonho de ter idéias e raciocinar." Não sei quem escreveu isso, mas no momento é uma sentença que me faz pensar. Mudar de opinião, ou mudar sua essência. Até onde toleramos as mudanças alheias, a até onde suportam as nossas? O ser humano, segundo o Darwinismo, é uma espécie evoluída do macaco. Verdade que conheço gente que adora umas macaquices, outros que mais seriam primos das coitadas preguiças, enfim, mas se fosse para eu escolher um bicho para comparar o homem, sem dúvida escolheria o camaleão. Apesar da sua lentidão, conta com uma ferramenta de sobrevivência incrível, a adaptação, aliada a mutação ao ambiente em que se encontrar. Assim como os camaleões somos lentos, porém lentos nas mudanças. Ninguém muda de uma hora pra outra, isso não existe. Suas atitudes vão influenciar na sua personalidade daqui meses, ou até mesmo anos. E a pergunta é, quando perdemos nossa essência? Me refiro aquele ideal que bravamente defendíamos, fosse socialista, ambientalista, hipponga ou mesmo hard core... Quando é que perdemos nossos sonhos e nossas lutas? Conheci tanta gente fascinante, inspiradora, que hoje não passam de mercenários, ou mais um daqueles que fazem de tudo para ser aceito em determinado grupo social. Isso me lembrou de uma música de Belchior, "Como nossos pais", em que em um trecho diz o seguinte: "hoje eu sei que quem me deu a idéia, de uma nova consciência e juventude, está em casa, guardado por Deus, contando o vil metal...". Não quero com esse post parecer uma radicalista. Muito pelo contrário, sou a favor das mudanças. Eu mesma sou uma camaleoa. Todavia, sou contra quem perde o brilho do olhar de outrora, quem desiste da causa nobre defendida, quem se adequa as regras sociais por mera conveniência de vontade de fazer parte de algum grupo de gente fútil. Quando olho pra trás, vejo muito da minha velha essência perdida no tempo. Tanta gente boa que ficou. Gostaria de mostrar pra alguns quem eu realmente sou, mas justamente nessa ânsia de provar minha identidade, piso nos cadarços e dou de cara no chão, servindo de piada para quem me rodeia. Muita gente acha que me conhece, pouca gente tenta realmente me conhecer e quase ninguém sabe como eu sou. Na verdade, nem eu mesma sei... Quando é que eu me permiti ir a uma festa na qual eu não gostaria de realmente estar? Quando foi que deixei de lado as pesoas que realmente me importam? Incógnitas. Bom, isso aqui está ficando mais longo do que eu pensava, e qualquer professor de língua Portuguesa me esganaria porque não tem introdução, desenvolvimento e conclusão, além de eu ter começado em um assunto ido parar em outro totalmente diferente. A verdade é que eu só tentei transcrever um décimo do que borbulha no meu cérebro. E ele é assim, hermético, confuso, e muito, muito doido! Hoje por exemplo está bem pior, chama-se TPM, e a minha terapia é aqui, escrever é o meu "atroveram". Agora vou finalizar mesmo, se não escrevo até 08 horas da manhã de terça-feira sem parar. Os assuntos vão borbulhando e meus dedos não param. Pronto. Alice sonha em sonhar...

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