Não sei por que demorei tanto tempo para resolver finalmente registrar um dos momentos mais marcantes e melhores da minha vida: a aprovação no exame da OAB. A felicidade foi e é indescritível. Até mesmo pelo motivo de quase ninguém, nem eu mesma, acreditar em mim. Nunca imaginei que fosse realmente passar, afinal a fama dessa prova é aterrorizante para todos os estudantes de Direito. Tudo começou quando uma grande amiga me ligou e me convenceu a me inscrever também. Até aí tudo bem, iria fazer por fazer, não estava estudando, e ainda estava com muito "stress pós-monografia" para me afundar em livros. Mas não tem jeito. O medo do fracasso é terrível, e é o meu maior fantasma. Minha família, conhecedora do nível de dificuldade da avaliação, me consolou, animando-me. Mas nada foi tão crucial quanto o que falaram para minha amiga e ela me contou: "Você passou cinco anos estudando Direito, agora vai fazer uma prova que só cai Direito, você tem que passar". Verdade. Foi bem duro. Todavia foi a maior sinceridade já dita. Coloquei aquilo na minha cabeça e fui fazer a prova, totalmente (des)confiante. Houveram algumas matérias que não estudei. Minha sorte é que a parte de Processo estava bem fresca na minha cabeça. Entrei naquela sala lotada. Pessoas de todos os tipos, de surfistas a patricinhas, e eu não podia deixar de fazer minhas apostas em quem eu achava que conseguiria. Ao meu lado uma senhora que fazia a prova pela quarta vez, contava sua experiência aos demais, que também já haviam feito o teste. A tensão só aumentou. Dor de barriga. Taquicardia. Suor frio. Tremedeira. Ansiedade descontrolada. Que prova difícil! Haviam coisas que eu tinha certeza que nunca havia visto na faculdade. Só Jesus na causa! Saí da sala, quase nos minutos finais. Duas amigas já estavam no portão. Eu estava amarela, exangue, minha respiração estava presa, minhas pernas tremulas. Uma delas concordou comigo quanto a dificuldade da prova. A outra surpreendeu-se conosco, menosprezando o exame. Eu já sabia o resultado, no máximo doze. Meu pessimismo, uma constante, havia achado mais uma brecha pra prevalecer. Resultado da Cespe, passei! No prego, mas estava dentro! Um alívio e felicidade instântaneos percorreram meu corpo. Gritei como louca. Mas resolvi não alardear o feito. Afinal, ainda tinha uma outra fase, essa discursiva, que me habilitaria ou não para a Advocacia. Dessa vez estudei, pois não poderia correr o risco de morrer na praia. Ao ir fazer esse segundo teste estava mais tranquila. Menos pessoas na sala. Não revi nenhum dos que eu havia prestado atenção. Eu também devia ser uma das que passou despercebidas. Que prova! Estava cansativa, e não muito fácil, mas ao sair e encontrar com minha amiga nossas respostas foram quase que 100% iguais. Ao olhar na internet a pré-correção feita por um professor pulei de alegria. Pronto passei! Uhuuu! É isso aí! É isso aí mesmo, alegria de pobre dura pouco. A prova foi anulada. Teria que fazer um novo teste. Passar por aquela situação martirizante novamente. Então lá fui para realizar, agora a "terceira fase" da OAB, eu não havia pegado pra estudar com afinco, afinal já tinha estudado uma vez. Eu sou mesmo uma anta! Quando peguei a "terceira" prova fiquei com medo. Achei mais prolixa. Algumas coisas simples, banais. Tão incrivelmente bobas que eu nunca imaginei que fossem cair, e por isso nunca pensei em dar sequer uma olhada. Escolhi a matéria de Penal/Processo Penal, dessa vez a peça era uma Queixa-Crime. Putz! Uma Queixa-Crime? Só podia ser brincadeira comigo! Que insanidade. Pra que dar uma peça simples dessas? Pra me danar com certeza! Mas graças a Deus um dia fui estagiária da Promotoria e lembrei logo: a Queixa é parecida com a Denúncia. Pronto. Tirando a narração dos crimes, que fiz muito sucintamente, o que em uma Queixa deve-se fazer mais detalhada e minuciosamente, fui muito bem... Entretanto ainda haviam as cinco perguntas e estas estavam de matar. Nem olhei os comentários dos professores na internet. Resolvi esperar o resultado, que com certeza seria péssimo. No grande dia, o nervosismo tomou conta de mim. A tragédia sempre deve ser retardada ao máximo, por isso resolvi não olhar. A noite a pressão cresceu. Senti vontade de fugir, sumir. E foi o que fiz, saí andando, minha tia foi comigo. De repente uma ligação pra ela. Queriam falar comigo. Do outro lado da linha uma voz conhecida: "Amiga! PARABÉNS! Você passou na prova da Ordem!". Meu Deus, não podia acreditar! Desabei em prantos, caí no chão rolando. Era felicidade demais. Chorei, chorei e chorei mais um pouco. Foi uma semana para acreditar na doce realidade. Ficava imaginando a qualquer momento alguém me dizer que havia tido um engano e uma nova lista de aprovados fora emitida, e nesta meu nome não constava. Não contava para os outros, com medo de que me achassem pretenciosa. Na verdade até hoje choco-me e emociono-me. Depois de tantas humilhações, sufocos, tristezas e angústias, Alice pode sonhar novamente...
Um comentário:
schow d bola .
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